
20:11

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

Deixo por fim o vale
Caminho, sol morrente
Folhas caídas,pernas caídas
Cabeças caídas...
E eis que do canto do infinito surge o raio
Que ilumina num instante minha pobre alma.
E eu grito:
- Óh espaço sombrio ! Calafrio ! Pobres dementes !
Num só dia fui demente, nascente, morrente... tudo!
Andei, caí, levantei, renasci.
Este espelho deve refletir o belo, o lindo
O sol e a esperança unidos.
Naquele instante, uma ave estranha cruzou o céu do vale gritando:
- O MUNDO INOCENTE RENTE, RENTE, RENTE . . .
Seria o prenúncio de mais uma revolução??
Não !
Aquele era fundamentalmente o sinal para uma definitiva COMUNHÃO entre os seres.
Criar nossas crianças para o cultivo das mais doces frutas:O AMOR, O RESPEITO, A PUREZA CULTIVADA
A pureza colheita
Os valores não podados.
QUE A NOÇÃO DO IGUAL DESTRONE O PRECONCEITO
QUE A AMIZADE DESTRONE A INVEJA
QUE A CLAREZA DE VISÃO FAGOCITE A IGNORÂNCIA
QUE A VIDA consiga destronar a MORTE !
Que o seu corpo belo, sadio e nú faça bem aos nossos olhos.
Que o amanhã seja o apogeu das flores, o fim dos canalhas.
Que levem estes passáros
Todas as minhas palavras
E contem para todos porque vivi...
E lá estavam presos num canto de minh'alma
Grande número de políticos
Também uma infinidade de madames frescas
Com seus cachorrinhos e seus bens postos em fiança
Iriam matar a fome dos retirantes nordestinos.
VOLTEI-MEE dei de cara com a morte!!
E ela sorriu para mim
Numa voz rouca falou-me de Mediatriz
Foi então que por um fio
Eu quase desisti de tudo...
Aquela que mais conhecia os interiores de meu vale me abandonara...
Tinha enorme dificuldade para dormir e quando conseguia era acordado com pesadelos de gente me enforcando...
Semi morto, ainda tive forças para me levantar, descer, alcançar minhas ferramentas e no meio da noite lançar mão de UMA ESPADA EM FORMA DE CRUZ, QUE ARDENDO EM FEBRE EU TALHEI EM MADEIRA; mas, que àquela altura, tinha mais valor que o diamante e o aço!
Fixei-a com um prego sobre a cabeceira de minha cama e milagrosamente voltei a dormir.Atirei-me então contra a morte gritando:
- Quais são os olhos para matar-te??
-Quais são ira vagante ?
Vaga, vaga, neste vale infindo, assolando a escuridão com seu beijo ardente.
Sopra-te a brisa, o vento forte para esvoaçar teus cabelos; tornar fria tua'lma nebulosa.
- Quanto tempo durará ainda mente insana?
Faminta de horror e medo
Para que venhas agasalhar-te ao peito
Deixar que mordas a minha face
Esfaceles o meu rosto
Porém consiga quebrar-te a cabeça
Roubar-te os pensamentos
E descobrir finalmente
O Segredo da Vida e da Morte
A razão de nossa existencia...
Após dizer tudo aquilo saí pela mata a fora com o coração num batuque de alegria.
Todas as flores do vale iam voltando-se para o meu caminho
À medida em que eu passava
Numa espécie de fototropismo incrível
Em uma demonstração de solidariedade comovente.
Acompanhava meu rosto esfacelado
ainda um olho
Além da tal sombra da morte
que lentamente me perseguia
Apesar do meu estado ainda sorria
Pois tinha assassinado com palavras
a injustiça, o sofrimento, e toda sua cria.
Num só golpe
o fim de uma vida repleta de melancolia.
E além disso
Conseguia ganhar mais velocidade
Que o vôo sorrateiro dos abutres
Que o olhar odioso de alguns terrestres
Que a lâmina implacável dos dementes.
Tinha a meu favor
O riso largo dos malucos
E a corrente de todos os humildes.
A febre era grande em meu peito
Trazia em minhas pobres mãos que secavam
Os poderosos músculos cardíacos
Que arrancara do peito dos malditos.
Cru foi o momento
Em que caí morto no terreno
Que abriu-se grande vala em minha cabeça
E que o fogo destruiu meus pensamentos.
F i m
Fé forte. Vida sem fé: nada. A luta continua.mcg

19:24

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

Calaram-se
No bosque azul da noite
Choraram amargos tempos mil
Gritaram:
O teu sonho foi perpétuo...
A alegria simples floresceu.
O mar de assombroso porte
Nem a luz do dia abalou
E a morte que serena embalava
Muitos dos filhos teus
Nem o vento febril do norte
Tocou-lhe nos finos cabelos
E a dor que sentia antes
O medo lhe transformou
E este presente à cena
Foi dos poucos que a viu
Os filhos voltarem ao magro ventre
da mãe morte que nunca os traiu...
Falaram solenemente
Que o medo nunca existiu
Foi quando o pobre angustiado
Perdendo sentido da vida
Não soube por que se omitiu
Saí correndo pro mato
Nem bicho feio me trouxe arrepio
Atravessei tantos mares
Que tubarões que se cuidem
E o digam !!
Chegando então a uma praia
Das mais lindas que já vi
Corri de lá para bosques
Da flor mais linda colhi
Enfeitei toda uma vida
Amei a ti numa esteira
Feita de buriti.
Criei novos conceitos de mim !
Sorri feito um louco...
Não sou louco não !
Pois quando olhei pro mundo
Quantos loucos
Gritavam, gritavam !!
E eu nunca os acolhi.
Nunca serei exato
Pois eis que minha carne é tenra
E o sangue circula em minhas veias.
Não sou um amontoado de músculos
Pois eis que minh'alma reina
E meu coração quase sempre me dita.
Morte, cria
De que vale a minha poesia?
Vejo nua e fria
Escarnecida óh meu Deus!
Assombra o meu dia.
Vida em harmonia...
Tudo fantasia
Panfletos baratos
Quantas vidraças!
Cães e gatos
Lobos, a matilha
Seus filhotes
Tudo para um raio
Destruir titia...



19:05

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!
Eu queria ter a chance
Para revolucionar um universo...
Crer neste instante fecundo
Fazê-lo brotar de um solo envergonhado
E romper todos os laços consagrados da covardia e da injustiça humana.
Queria poder matar o mundo de tanta paz
E fazê-lo engolir a semente da infinita pureza e eternidade
Que assola os corações de um mundo vil.
Chorar de alegria nesta terra
E levantar todo o clamor de uma paixão
Criar meu mundo e o fazer tão puro
Que um mar de emoções o deixaria turvo
A morte sem razão e esta dor no peito
Que o vento arrastará por toda a eternidade...
Clareia emoção criança
Que o Senhor ilumine minha pobre mente
Que saia o grito de minha boca
Que dilua corações canalhas
E que mais tarde se aprontem vivos na vanguarda
A me esperarem em uma forca crua.
Dái-me um tempo óh senhores distintos !!
Só me matem quando chegar a hora !

18:19

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

1990/1991
E eram os dois como uma planta
Suas raízes entrelaçadas
A lâmina fria os cortou de maneira cega
E a parte que lascou ficando em carne viva
Foi o peito do moço de coração mole.
- Cadê você anjo ?
- Cadê você ?? Olha !!
- Sou eu ! Seu companheiro de tantos anos !
Não adiantava.
Mediatriz não estava mais ali
Morreu viva e sua mente foi ocupada por outra.
Um machado foi cravado em minha cabeça.
Fui colocado num forno
Podia-se ouvir o chiado da minha carne na chapa quente ...
E eu era um homem que gemia e gritava como um porco esfaquiado.
E eu era um gato e minha vida tão certinha
Pegaram-me pelo rabo, giraram bastante e atiraram-me contra a parede.
Esfacelado, triturado por dentro
Quando menos se espera da terra seca do meu coração brota novamente o choro
Que rasga o meu peito num urro!!
Confuso e nebuloso em extremo
Se mostra o caminho diante de mim
E eis que vacilo...
Tento pisar firme, cambaleio e caio
E vou me levantar novamente.
Esfacelado, triturado por dentro
O milagre, ainda vivo...
Cambaleio e caio
Arrasto-me e me levanto
Cambaleio e caio
E vou me levantar novamente
Tanto que corri e agora paro
Cambaleio e caio
E vou me levantar novamente
Esfacelado, triturado por dentro
O milagre: ainda vivo...
Cambaleio e caio.
No vale esta guerra gigantesca
Milhões de megatons Estilhaçando minha dura máter
Fazendo brotar e vazar gemidos pelos meus poros
Pelos meus ouvidos...
1979
O sol foi caindo num ponto
Em que o céu e a avenida se encontram
Vi um bêbado sentado na guia
De trajes rotos e fisionomia estranha
Ele boceja com um ar de melancolia.
1991
O camelô desmontou sua barraca.
O desdentado sorriu, depois chorou...
O Palmeiras perdeu.
E eu ?
Fui para casa...
Mas não tinha ninguém lá me esperando.
Fui a academia ontem
Já fazia um mes que não aparecia por lá.
Percorri todo o circuito de aparelhos e ainda consegui nadar
seiscentos metros. Pouco para qualquer um.
Um verdadeiro record para um semi morto.
Experimentei a comida congelada que encomendei.
Como estou tentando reagir !!
Choveu muito à noite
Não conseguia dormir
Desci de madrugada para tomar uma colher de calmante.
Acabei tomando duas. Foi como receber um chute no estomago e acabei jogando tudo para fora.
Acordei.
Interessante como agente tenta tanto dormir e não consegue, para depois acordar e
ver que acabou mesmo caindo no sono, sabe lá que horas, sabe lá quando.
Queria poder perceber:
Olha, olha, vou dormir ... Atenção !
Como que acionar a tecla
Standy by da televisão.
O Corintians perdeu ontem
E isso foi sempre motivo de muita alegria
Pena que estou neste estado.
É manhã e ainda chove
O rádio relógio liga e me desperta de vez:
"Congestionamentos, vários pontos da cidade estão alagados, não restando outra alternativa aos motoristas senão aguardarem que as águas baixem".
Esta notícia de manhã
E eu acordei novamente enxarcado de tristeza...
Que confusão na cidade.
São Paulo deve estar respondendo à alguma ação de desquite.
Mas quando esta mágoa vai baixar??
Fico parado esperando
Sem poder me mover...
Começo a escrever e a mágoa torna a jorrar pelos meus olhos, pelo meu nariz; enfim, pelos bueiros da minha cabeça
E ela parece vai ficando mais leve quando se distrai pensando na comparação.



11:14

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

1983
Da janela semi abertaNum dia chuvoso
O vidro molhado
Fresta de sol lambeu o meu semi rostoNuma manhã semi fria .
Foi assim que pensando em ti partiu meu coração por uma estrada semi nua. . .Os céus atingiram os meus olhos
E sob trovões na manhã escura o que vi foi uma semi lua !
Foi-se embora meu coração aos batuques
Em meio ao luar na noite que caia
Lembrando a tua imagem que nunca escurecia.
Segregara-se minh'alma num semi tempo
Porquanto meu corpo fora alvejado
Num semi oportuno momento.
E eis que na mesma estrada semi nua
Soltei um semi gritoE ele voou no espaço como um semi morto, numa semi hora,num semi oportuno momento.
Semi lança por isso cravou-se em meu peito
Porquanto triste e vão pensei ser na vida o meu semi grito.Porém neste instante
Vi cair do céu em poça d'água folha seca repentina
Enquanto semi raio fulgurante resvalou-se em pedra iluminando a água cristalina
Onde repousou por fim a arte divina
Voltei-me então à estrada peregrino
A cantar por todo canto
Minha esperança menina: Mediatriz ! !
Que adormece em meus braços nesse instante sem mais rima.
1988
Voaram flores no céu
Num tempo solene
O aroma da paz acalentou o mundo
O choro matreiro, um breve calafrio
Tudo isso se foi com um canto singelo
Que desfigurou faces, assolou corações.
Toquei em seus lábios e o que vi naquele instante
Foi pureza que vitória em batalha nada paga.
A ti levei meu mundo quando ainda éramos crianças
E te disse que não valia
E que somente a ti devia o triunfar do meu peito e
O possível ver de nossa felicidade neste mundo absurdo
Além do querer de uma só casinha
Onde pudesse repousar no teu colo
E fingir que a vida ainda era azul.
Não te prometo fortaleza infinda
A ti proteger do aço
Mas sim a fragilidade do meu corpo
Ser espetado em seta antes do teu sofrimento
E ao fim de cada dia voarei desesperado ao teu encontro.
1991
Pouco depois de haver terminado de reformar nosso ninho
Fui alvo de um bodoque
Que alvejou-me sorrateiro em uma esquina de meus dias.
Mais precisamente na esquina dos anos noventa com noventa e um.
1981
O céu desbotou junto com a minha calça jeans
O sol se escondeu
E eu quase me perdi
O mundo girou e eu te esqueci no Japão.
Uma vez
Eu te vi no jardim
Você sorriu
Eu nunca me esqueci.
Fechei os olhos
O tempo passou por mim
Me lembrei daquela noite
O piche, quanta coisa maluca.
Ao seu lado me sentia moleque
Deixava de ser sério
Mostrava a língua pro rei.
1983
Época de provas
Na madrugada ouvi uma bagunça de pássaros lá fora
E percebí que havia atravessado mais uma noite.
Logo veio o sol, logo de manhã
E eu desejei ter um coração de passarinho
De um leve pardal pequenino.
Mas eu nunca consegui Kasinha
Um bodoque por vezes me acerta no dia
E suas pedras despedaçam-se em meio ao meu peito
Que embora forte não se recompõe. . .
Pois eis que não é forte . . .
É frágil !!!
Ontem de manhã
Quando ia para faculdade
De dentro do carro avistei o tal bichinho
Que se metera em meio a uma fresta
Na tela do muro de uma grande firma.
Voou depois tão leve . . .
Como se o mundo fosse leve Kasinha !
O fato é que ele cantava como se o ar fosse puro
E a vida doce e singela.
Sorri.
O carro andou
Me agarrei em peças
para continuar vivendo.
1989
Estou aqui, neste dia calado
Pensando em tudo.
Desde o mergulho de cabeça no Sistema Financeiro da Habitação
Até o cair na mata com pequeno físico
Porém com a determinação de todos os meus gestos impulsivos
Gritei como o incrível Hulk !!!
E encarei os monstros que possuiam cifrões na testa
Somente para livrar-te
E nos levar a canto mais ameno.
Casei, cacei o ano inteiro e te levei a caça
Correndo feito um louco atrás de um onibus maluco.
Chorei, sorri, troquei um pneu, fui ao supermercado, me aborreci.
Acertei, errei, me revoltei, consenti.
Vou fazer vinte sete anos e ainda me sinto tão menino
Tão cheio de coragem, de medo, de determinação, de impulsividade.
Tão cheio de vergonha, de falta de vergonha.
Tão cheio de complexos, de felicidade, de nervosismo . . .
Sou uma salada russa
Mas estou aqui do seu lado
Não se esqueça nunca disso.
1982Galho verdinho, lirio da paz
Quanta derrota neste olhar, anjo.
Sonhos leves, leves como teu sono, teus seios, tua boca.
Na noite fria do meu caminhar, na noite fria do meu esquecer
Te deixo, volto para casa
O carro agora já rasga a noite que em pedaços se recompõe .Me calo.
Durmo atrasado acordando cedo
Sonho que nunca passei de um sonho
E que me peguei sonhando em todos os momentos que vivi.
Sonho agora e não tenho tempo
Já acordei, já vou dormir.
Saio de casa e o pessoal está dormindo
Volto do plantão e eles já estão dormindo.
Quanto rezar por este sono anjo
Umidecer teus cílios
Mergulhar numa gotícula azul de uma lágrima tua
E me ferir sonhando que magoei a ti.
1982
Paira perfumada esta nuvem de sonhos
Sou filtrado a um outro mundo
Capto as emoções mais singelas
Retida no peneirar de desejos materialistas. . .
Sonho tudo certinho
Um canto para amar
Outro fazer poesia
Noutro comer melancia.
Mas para que tanto pensar no dia
Na doce poesia, na eloquente melancia ??
Se quanto mais penso a única saída que encontro é tristeza e melancolia. . .
Pena que a melancia tem tantas sementes.
1981
Já é quase noite
Volto do colégio para casa
Posso ver o reflexo das luzes sobre o asfalto molhado
Automóveis vão deslizando avenida abaixo, tentando alcançar o infinito.
Um sujeito caminha apressado pela outra calçada
Tem o olhar distante...
E o sujeito era eu !!! E eu estava ficando maluco.
Na imensidão do silêncio ( O silêncio de Deus )
Preso ao nível da dor de um Supremo Intelecto(Deus)
Que sofre mais que todos pela miséria humana
Há morte e renascer em meu peito.
O grito lancinante
Minhas lágrimas já quase eternas
Que o vento sopra para o infinito das convulsões do meu pranto
O tempo triste que vejo às margens de um rio de sangue ( crimes, mortes )
Encher com ar sereno ( acomodamento de todos )
As velas de um coração dolente
Que vaga perdido na escuridão do relento.
E esse choro que cato na rua é às vezes liberto
Da mão de ferro que o aperta entre os dedos
De um nítido condicionamento.
Penso então mediatriz que você sou eu
E que todos deveriam "um só nós ser"
De mãos dadas caminharemos juntos
No espaço desta praia
Do rio que se transforma em mar de azul e flores
Diante de teu sorriso sincero
Que buscará no horizonte dos meus olhos
O mais singelo sentimento.
Colherei a flor mais linda
Colocarei em teus cabelos
E no momento em que acordar
E perceber que foi tudo um sonho...
Apunhalado no peito, nos braços
Experimentarei mais uma morte em minha vida.
Mais uma morte no vale de minh'alma ao saber que é tudo mentira!
1979 Ninfa e Delito ( Profetizando seu futuro )
O sol correu ardente perdendo o lume no horizonte
E a pedra atirada por um garoto fez quebrar a taça dilacerando vida.
Fazendo-a escorrer como se fosse um líquido.
O garoto frustrado e moribundo também põe-se a correr lacrimejando sangue
Enquanto alguns pássaros rasgam o céu esporadicamente.
Na profusão ausente do sol que já fora amigo
O vento triste se fez presente secando suas lágrimas.
Chora de dor ao ver que a ninfa nua que o embalara em sonhos
nos teus seios puros
O desilude agora ao se mostrar quimera.
Cala-se, porém não consente
A sua imagem delinquente
E quando lembra o consolo e sorriso
Que outrora fora seu resplandecente
Vê sua alma e corpo em estilhaços.
Nem força tem a por nas pernas
Para que entrem em movimento
No instante em que chama por uma fuga melancólica.
Por mais que tente, percebe que as desgraçadas sentiram na carne e músculos tal ambiente e põe-se a arrastá-las para sair dali.
Ergue os olhos e a humilhação vem-lhe ao encontro rasgando-lhe a face.
Já posso ve-lo no horizonte com a mente a fustigar:
Qual foi o seu delito ?
1981
Ontem,
Mais ou menos às nove e meia da noite morreu um menino
Um menininho de tres anos de vida
Ele morava num jardim
No interior do peito de um homem
Onde só os sentimentos puros imperavam.
Matrhiéuzinho corria alegre colhendo todas as flores do jardim
E as atirava para um anjo em forma de mulher.
Um dia, em meio a tanta pressa
Alguns espinhos cravaram-se nas mãos do menino
E algumas flores foram entregues ao anjo embebidas em sangue.
O anjo chorou
E suas lágrimas foram setas
Que caíram sobre o menino.
E o menino morreu.
Morreu aos poucos
Pois não podia acreditar que o anjo
Não era anjo
E preferiu morrer a ter que odiá-la.



10:31

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

Grande chuva novamente molhou a terra
E sendo meu coração um perigoso terreno
Sobre o qual tenho pouco domínio
Onde o solo é extremamente fértil, vulnerável a todas as sementes
Boas e maléficas
Brotei pois com certeza do meu solo
E então ressuscitei-me para mim.Devo dizer, antes que desconfiem, que a semente que me fez ressucitar
Era linda e graciosa
Mediatriz, com quem eu tanto sonhara
E que agora vinha para meu conforto
Após cada batalha travada no vale de minh'alma
Diante das bestas feras que assolam este mundo.
Da escuridão do espaço caiu o orvalho sereno
Gotículas brilhantes que foram umidecendo aos poucos o asfalto indiferente
E que provando a união
Aos fragmentos me enxarcaram de medo e saudade.
Deslizaram-se por entre janelas adormecidas
Por sobre faces sofridas
De muita, muita gente esquecida.
E o casarão universo, com tais janelas já citadas
Foi morrendo enternecido
No meio da madrugada.
Menino, menino
Totalmente menino
Fugi correndo descalço pela mata virgem
E levei a ti Mediatriz
Meu coração num copo d'água. (1981 )
Procurei abrigo
Em tua face sincera
E nos teus seios
Parti para um outro mundo
Onde pude por instantes me esquecer de lágrimas
E abrir o meu sorriso escancarado e feio
No brilho dos teus olhos os meus olhos
Meus sonhos
Por entre suspiros teus embalados
Nas profundezas do mais oculto vale
No interior de minh'alma o meu amor por tua'lma.
Naquele momento pude ver uma criança a correr pelo vale
E essa criança era meu filho
E eu era ele, o meu filho era eu
E eu ... ficava me vendo ao longe.
Vida efêmera
No infinito dos olhos de um menino de coraçãozinho azul .
Tenho asas e sou monstro !
Mas também era menino e as vezes ainda tinha vontade de mostrar a lingua pro rei!
Pensei no seu nome e resolvi chamá-lo Mathiéu, por ter lido na época a "Idade da Razão "de Jean Paul Sartre.
Sua mãe eu já amava
Porém ela nem sabia que eu existia.
Era um anjo que pelos arredores do vale sempre em silêncio e frágil passeava.
- Mathiééééu!!!!!!! Mathiééééééu !!
Mathiéu gostava do anjo
Acho que ela gostava dele também.
Mathiéu costumava chamar o anjo de Kasinha
Kasinha . . .
Kasinha coração, coração kasinha.
De manhã Mathiéuzinho abre a janela
Vê o sol, as flores, um riozinho, o verde em volta. . .
Perto daquelas pedras o verter do sangue.
Na atmosfera azul a liberdade de sentimentos profundamente sinceros
Destes que nascem ao acaso. Mathiéu gosta da cor do sangue.
Acha tão bonito, tão puro !
Coitadinho, nem sequer imagina que lá fora, não muito longe de sua pequenina infinita kasinha
Aquele mesmo líquido que é vida é sinônimo de morte e ainda causa horror e medo.
Mathiéuzinho não sabe.
E enquanto isso, ao invés por exemplo de jogar bolinha, ou outra brincadeira qualquer
Fica parado por horas e horas olhando aqueles pássaros coloridos que voam por de trás das colinas
Em direção a um jardim também tão florido
No interior do peito de um homem
Que por acaso é um índio
Que por acaso é um menino, assim como Mathiéu
E que por acaso. . .
Sou eu.
* * *



19:29

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

Ganhei novamente o meio do mato, e quando os meus pés descalços estavam prestes a
atingir a estrada pude ouvir, depois ver, um menino negro gritando:
- Lá vem a bandinha ! ! !
(E a bandinha representava todos os políticos brasileiros)
- O povo está sorrindo. . .
- O pipoqueiro, o cirquinho, todos estão sorrindo ! !
- Lá vem a bandinha ! Vem tinindo ! !
- Tem palhaço, porco, mágico e gringo ! !
- Lá vem a bandinha ! Toca a musiquinha !!
- MEU DEUS !! BOMBAS ESTÃO EXPLODINDO !! A bandinha . . .
- O povo está dormindo !!
- O palhaço não tem mais graça.
- O mágico é CRUEL: ABRE A CABEÇA DE TODOS COM NÚMEROS, numa torre de babel !
- Repito, o palhaço não tem graça ! O povo esta " MORRINDO "!!
- Morrendo então ?? Há quanto tempo ! O onibus está explodindo !! Perdendo-se ao longe o negrinho ainda teve tempo de brindar a MORDOMIA e o REVEILLON com gasolina gritando:
- VIVA O DONO DA SHELL !! Viva as naftalinas !!
Quando uma bala, lógico que, "PERDIDA"
Estouro-lhe os miolos.
Ele caiu sobre um moedor de vidros e ralou o rosto na NEVASCA, onde a neve era vermelha
E o tempo uma mina.
MAS QUE NEVE É ESTÁ QUE SURGIU NA RIMA
SE ANDO EM TAL ESTRADA TÃO TROPICALINA * ??
( *Brasil: uma estrada perigosa perdida em minha mente).
* * *
Depois de beber tanto do sofrer alheio, pensei ingenuamente que já era forte o bastante para encarar meus próprios "ais".
Corri por um campo verdinho. . .
Corri livre feito um menino.
E estava no meu sangue a novidade d'alma, o amor por uma mulher.
Caminhei por uma estrada singela, pura, sem calçamento; e cheguei em avenida
transformando em rua, em rua em lar, em lar em gente humilde. Uma espécie de
progresso ao contrário sem ser retrocesso.
Saiu de minha boca um grito contra toda injustiça e ele rompeu paredes de concreto.
Coloquei flores em bordas de canhões e eles transformaram-se em objetos de decoração.
Mas eu vou contar melhor essa estória. . .



18:28

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!
. . . Me arrastei até o acostamento e o pelotão acabou me esquecendo.
Embranhei-me no mato, correndo feito um maluco, com o medo dominando o meu corpo acabei atingindo uma praia. . .
Era uma noite de luar; o som vinha do oceano
As ondas pulsavam, batiam, rompiam-se
Dispersavam-se os meus pensamentos em meio àquelas grandes batalhas que freqüentemente tinham como palco o VALE de minh'alma, sempre contra um terrível adversário: eu mesmo.
Às margens do mar, sentado sobre uma rocha, sabia que aquele era um precioso instante em que me sentia livre de meus ditadores cotidianos; gerentes de um sistema de vida que é uma milícia!
Que empurra jovens inocentes para competir ferozmente com seus semelhantes, num jogo de ambição e interesse sem fim... onde; quem não morre, pensa, e ganha canceres e úlceras.
Logo, sem que eu percebesse, aquela praia tranqüila deu lugar a mais um cenário de conflitos, com bolas de fogo, com bombas napalm .
</ span>

18:12

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

. . . Muito antes que chegasse a uma conclusão: um estrondo ! ! Caí ...
Fugiram os pássaros
Vieram os homens
E eram de concreto
Todos prontos para partir em pedaços.
No dia em que o azul do céu mais parece aço
E eles se transformam
No dia em que matam ! ! !
Um grito !
Um sujeito vocifera num determinado instante:
- Levianos e canalhas na vanguarda ! !
Todos param
O silêncio já não provoca dor aos corações calejados. . .
Eu, um homem de concreto.
A flor no peito ganhara de uma moça
a quem eu nunca dera valor.
De repente, minhas mãos
Sem que eu desejasse
Capturam e esmagam a flor !
São duas assassinas ! À aflição, elas tremem ! !
No chão de asfalto restos, a flor, sentimentos vão ficando para trás.
Eu não quero mas, minhas pernas caminham. Fazer o que?
Só resta olhar as pessoas. . .
O mundo em que os homens de concreto prevalecem .

17:07

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!
Pude avaliar por exemplo, as várias estradas que existiam em minha mente.
Algumas delas esburacadas, não possuíam sinalização adequada, nem sequer acostamento.
Em outras maravilhosas, de piso impecável era obrigado a parar constantemente para
pagar sempre algum tipo de pedágio.
Quando passava por uma delas, mais precisamente no caminho que liga o mesencéfalo ao diencéfalo pude ler em um outdoor enorme:
"O ÚNICO SENTIDO DA GUERRA É FAZER COM QUE A VIDA DOS SERES HUMANOS DEIXE DE TER SENTIDO "
Fiquei parado por alguns instantes a imaginar
Quem teria escrito aquilo em minha mente . . . Será que eu mesmo ?
Será que tais princípios já existiam mesmo antes que eu fosse gente?
Aquilo estaria embutido em meu código genético ?
Ou quem sabe só existiam uns trilhos e algum governante de minh'alma se tivesse prestado àquele tipo de serviço. . .

16:19

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

Um vento forte fez mudar a sorte
De folhas secas que, àquela altura já se conformavam
com o cruel destino que as colara ao chão. E assim novamente,
como jamais poderiam crer, voltaram a dar importância ao simples fato
da brisa existir.
Em meio às folhas amareladas que voavam felizes
tive a nítida impressão de que estava morto e que,
diante dessa nova forma de ser, conseguia enxergar perfeitamente a mim mesmo.

14:45

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

E era um sonho, e era dia
Não sabia se morto estava ou se vivia
E eis que de repente
Vi jorrar de uma fonte
Tristeza ardente e alva . . .
Percebí que a citada fonte eram os meus olhos
E vi dos meus olhos
Feridos pela crua sordidez da atmosfera
Formar-se um rio de sangue
Das ruas quietas e frias
Das praças emudecidas do meu ventre
Surge num vago instante
Do peito a fantasia pura e morna
Que nasce
Sobe por uma escada enegrecida
E se esvai ao longe. . .
Uma glândula secretou um líquido
Que deixou tenro meu coração
Transformando-me num sentimental bobo
Como nas novelas de televisão.
Mal sabia que essa seria minha desgraça
E meu profundo sofrer futuro.
Ergui os olhos
E uma flor embebida em sangue
Caiu sobre o meu rosto
E então eu sonhei muito:
- Moça, por favor.
- Minha senhora, por favor
- Caço a borboleta verdade, eu . . .
Mas a medida em que me aproximava
As imagens iam sumindo
Como já disse somem
As bolhas de sabão.
Foi então que quase fui atropelado
Por um enorme bando
De velhos maltrapilhos
Que buscavam força não sei onde
Para gritarem ferozmente
Uma espécie de ladainha absurda:
" Vieram do levante nos amedrontar
Somos de ferro, vamos durar
Vieram do levante pra nos castigar
Todos em pé, vamos gritar !
Vieram do levante nos abominar
Sorrimos pouco, choramos mar.
Vieram do levante nos ignorar ! ! "
Em seguida foi a vez de meninos de rua famintos
Que ecoavam um canto
Sem nenhum sentido
E também absurdo:
" Tô com frio, tomo suco gelado !
Tô com frio, tomo suco gelado !
Tô com frio, tomo suco gelado ! "
E os meninos de rua que tinham no
cheiro da cola, seu mais sagrado manto
Deram lugar a um andarilho esfarrapado
Que gritava:
" Cato papel !
Compro o quilo !
Peso dinheiro !
Vendo satisfação! "
- Meu senhor, quantos contos vale o dia ? ( perguntei )
- Talvez o quanto se cata em papel.
- Em quilos, em gramas . . . é óbvio.
- Em toneladas de pensamentos
No interior de uma cabeça pequena
Fazendo pressão, querendo estourar as artérias. . .
- Enfim, não dá prá se saber.
- A única certeza é que tudo passa ! Tudo !
- Inclusive e principalmente nós
Tripulantes dessa mesma espaçonave
Que só Deus sabe o destino.
Àh SE TODOS TIVESSEM CONSCIÊNCIA DESTA VERDADE
Que é tão clara quanto se dizer que pau é pau e pedra é pedra.
Mas é incrível ! ! ! ! !
-A grande maioria deixa-se iludir
Noventa e oito por cento das horas de suas vidas
Para apenas dois por cento de lucidez
A qual se dá normalmente
Na antesala de um velório qualquer.
-Ah, se esse velório pudesse estender-se para o resto de nossas vidas
EVITAR SE IA TANTA DOR !
Talvez pudessmos aprisionar a VERDADE em nossos corações. . .
- O senhor disse V E R D A D E ??
- Caço a borboleta verdade !
E eis que ouvindo estas palavras
O andarilho sentiu grande espanto e sumiu. . .
Como somem as bolhas de sabão.
Vaguei pela cidade
E vi um morcego debruçado na janela de uma igreja antiga
E ele queimava com os olhos
As pessoas na praça . . .
Avistei grande número do que resolvi
chamar humanóides. . .
Deitados ao sol em uma praia
Tal qual répteis
Como são estranhos os humanóides . . .
Em uma fila grunhiam, pisoteavam-se.
No transito bradavam, bradavam ! !
E eu também vi outro dia
Um morcego na rota
Um morcego na rota, um morcego na rota . . .
* * *
Sonhei então, como bom brasileiro
Ter feito um gol eterno
Um gol de vida e de morte
Que trouxe o brilho de milhões de sorrisos. . .
Que ofuscou o brilho das estrelas
Que fez funcionar uma engenhoca
Que libertou vários pássaros

Que acariciaram o vento
Que acariciou dois grandes seios
Que banharam Africa de leite
Que matou a fome das crianças
Que compuseram um novo canto
Que fez florescer um novo mundo.
Pena que na vida real este meu gol
fora anulado . . . impedido !
Pior, perdera o controle, fora expulso de campo e acabara vendo o
meu sonho ser embassado em meio a fumaça dos fogos da torcida.



11:53

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

Devo dizer que o vale era calmo . . .
- Que venha a hedionda massa !!! ( gritei )
O solo põe-se a tremer.
Ouviu-se um uivo raivoso.
Tres chacais puseram-se a minha frente:
Queriam os meus membros.
Abriu-se um corte em minha cabeça
Meus pensamentos vazavam
Iam se perdendo em gotas de sangue
Que verteram durante algum tempo
Sobre uma rocha fria . . .
Acordei.
Olhei para tudo.
Abri uma cortina negra
Que era a minha vertigem.
Os chacais estavam mortos
E quão maior foi minha surpresa
Quando me encontrei alado ! !
Uma enorme asa de uma alvura tal
Que não podia fitá-la por muito
Sem que não ardessem os meus olhos
Que agora queimavam em labaredas
A cada intervalo de tempo.
O sol se abrira para mim
Porém jamais poderia imaginar
Como tal façanha se fizera desenhar
Diante do meu ver
Porquanto somente me lembrava
Dos chacais vivos
E o meu peito em desalento ser tomado.
O céu estava em pedaços quando desmaiei
E agora acordado
Percebí que grandes e pesadas eram as nuvens
E que logo enorme chuva se abateria
Sobre minh'alma, ou melhor . . .
sobre o vale.
Coloquei-me a crer que venceria
Sem nenhum instante de dúvida
E eis que voei alto
Ganhando os céus pensei no Criador
E tudo no vale pôs-se a me obedecer
Diante dos meus olhos em chamas
Tudo fiz transformar . . .
Grande multidão de "mim"
Pôs-se a me ouvir
Muitos "mim"
A gritarem em assembléia por justiça
E a silenciarem sob o meu canto.
O sol em beijo ardente lambeu a terra gulosa
Aluvião foi momento triste.
O meu voar em vale tenebroso
Sobre campos de trevas
Onde folhas secas habitam.
Momento escuro, momento louco
Eu fujo
E não tenho medo e nem pressa
Simplesmente fujo.
Grito de morte.
Chora o espaço sideral
No engodo de minhas fantasias
A verdade nua e crua me exaspera o peito,
assola minha face.
Desespero violento
Tempos passados, corações futuros
FLAGELO !
O FLAMEJAR DE SETAS DE FOGO
NESTE MOMENTO INSOLENTEMENTE PERDIDO !
LÍVIDO. No espaço voo teimoso.
A morte sempre me espera num minuto intransigente.
Vejo manipularem cabeças
Cravarem unhas em mentes ingênuas. . .
Corro, corro, corro ! ! !
A alvejar A BORBOLETA VERDADE
Que sorri
E atenta contra o meu corpo.
Caço a borboleta verdade!
Que tem os olhos duros
E a face gelada . . .
Atiro meus braços na atmosfera
E ela sempre me escapa por um TRIZ.
A MENTIRA ME ALCANÇA
CRAVO MINHA LANÇA EM SEU PEITO
ME MANCHO COM O SEU SANGUE
E MORRO NO MOMENTO EXATO.



10:18

Marcos César Gonçalves
, Posted in
VALE
,
Deixe seu comentário!

Fui ao florista
Mal podia imaginar que havia comprado
um copo de sangue ...
Andei pela cidade
Mandei lavar uma farda ensanguentada
Havia um bar
E lobos bebiam outros copos de sangue ...
Avistei pobre favelada
Cem pés sem calçados e
Sem marmelada.
Notára que a fome do gato ainda fazia
ROUBA, ROUBA ...
Outro bar
No início de uma rua estreita.
Entrei.
- O teto está pingando ! ! !
- Há ratos no porão e morte na catedral ...
( Disse eu com um olho no tempo lá fora. )
Fui ao caixa
Paguei por estas palavras
Um ano e meio de cursinho
Tres meses de salário atrasado
E duas horas por dia dentro de um onibus.
Nem por isso a força do meu peito se esvaiu.
Sabia que o tempo o vento
COME, COME. . .
E que muitas verdades ainda deveriam ser ditas.
Palavras ponderadas
Objetos de grandes conquistas
Capaz de cativar universos
Nos tornar inocente às flores . . .
Não são a nos como as outras
Qual bisturi de dois gumes
A dilacerar intempestivamente
Artérias de grande calibre .
Saí para a rua; a tarde caíra . . .
- Olha o brilho fanal ! !
- Olha o brilho fanal ! ! ! ( Eu disse )
- Caminharemos sob um mar de pássaros
que riscarão o céu na manhã
Como linhetas, pedaços de sol . . .
- Lembraremos que a vida também guarda
muitas surpresas
Em meio a uma fenda
Na rocha que é a cabeça de cada um
UM LUME DE PENSAMENTOS
Tal qual insetos
a se procriarem vertiginosamente e em progressão geométrica
SENTIDOS DE INJUSTIÇA, metamorfose de conceitos . . .
- Meu Deus ! !
- Como a cabeça das pessoas mudam.
Nunca soube ao certo o que se passara comigo
Ouvira choro num canto
Susto e riso noutro. . .
Que bagunça ! !
Precisaria de um tempo
Quem sabe no feriadão
Colocar meu guarda-pensamentos em ordem
Fazer uma arrumação. . .
No peito um vazio.
- Olha o azul florido !
- O verde esperança morrido, olha !
Vestes brancas ao vento
Vitória no peito eu te quero.
QUANDO SE PERDE, QUEM VENCE ?
QUANDO SE VENCE, QUEM PERDE ?
- Moro, por que moro ?
- Normal, por que normal ?
- Olha quantas criancinhas !
- Olha !
No mundo imundo todos morrem . . .
Morte, frio, calafrio
O espaço sombrio
Num momento triste
Tu ristes, tu ristes, tu ristes ! !
O tempo tão triste
Persiste, persiste, persiste ! !
O quanto cantaste, sorriste, amaste, mentiste, moraste,
Morreste, morreste, morreste, morreste . . .

